TJMG Suspende Busca e Apreensão de 42 Veículos contra Bradesco, ITAÚ, Sicredi e PACCAR

O setor de transporte rodoviário de cargas enfrenta desafios constantes, desde a oscilação do preço dos combustíveis até a alta carga tributária. Quando a crise de liquidez atinge uma transportadora, o maior risco é a perda da frota para instituições financeiras, como o Banco Bradesco, por meio de ações de busca e apreensão.

Recentemente, uma decisão estratégica do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) trouxe um alento para empresas do setor. O tribunal reconheceu a essencialidade dos bens e determinou a suspensão de busca e apreensão de frota que compunha a força operacional da empresa. Essa decisão se baseia no conceito de Unidades Geradoras de Caixa (UGC), protegendo os ativos que permitem a continuidade do negócio e o pagamento de credores.

Neste artigo, analisaremos como a Empresa obteve essa vitória judicial contra o Bradesco e quais os impactos dessa tese para outras transportadoras em dificuldade financeira.

Contexto do Caso

A Empresa, que atua no transporte rodoviário de cargas pesadas — atendendo majoritariamente grandes players como a Gerdau — enfrentava uma severa crise de liquidez. O endividamento bancário, vinculado ao financiamento da própria frota junto ao Banco Bradesco Financiamentos S/A, levou o banco a ajuizar medidas constritivas para retomar os veículos.

A defesa da transportadora argumentou que a retirada dos caminhões inviabilizaria 96,71% de seu faturamento, o que causaria a falência imediata e o descumprimento de obrigações trabalhistas e fiscais. O foco do pedido foi a tutela de urgência para suspender os efeitos das liminares de busca e apreensão sobre 42 veículos específicos.

O que Decidiu o Tribunal?

O relator do Agravo de Instrumento no TJMG reformou a decisão de primeira instância, reconhecendo que os veículos não eram meros ativos, mas sim bens indispensáveis à manutenção da atividade econômica.

A decisão destacou que a onerosidade excessiva e o risco de paralisação total das atividades justificam a intervenção judicial. Segundo o magistrado:

“Reconheço a essencialidade dos 42 veículos operacionais da frota da transportadora classificados como Unidades Geradoras de Caixa (UGC), determinando a suspensão dos efeitos das medidas liminares de busca e apreensão.”

A base legal utilizada perpassa o art. 49, §3º, da Lei nº 11.101/2005, que, embora trate de créditos garantidos por alienação fiduciária, permite a mitigação da retomada de bens quando estes são comprovadamente essenciais à preservação da empresa, em observância ao princípio da função social.

Impacto Prático para Empresas de Transporte

A decisão do TJMG estabelece um precedente valioso para casos de recuperação judicial e reestruturação de dívidas bancárias. Os principais pontos de impacto são:

  1. Preservação da Receita: A manutenção dos veículos classificados como UGC garante que a empresa continue faturando para honrar seus compromissos.
  2. Blindagem Patrimonial Estratégica: Demonstra que a busca e apreensão pode ser revertida se houver prova técnica da essencialidade do bem.
  3. Força de Negociação: Com a frota protegida judicialmente, a Empresa ganha fôlego para negociar prazos e taxas menores com o Banco Bradesco.
  4. Aplicação do Princípio da Preservação: O Judiciário sinaliza que a continuidade da atividade econômica prevalece sobre o direito imediato de retomada do credor fiduciário em situações críticas.

Conclusão

A suspensão de busca e apreensão de frota é uma medida excepcional, mas perfeitamente viável quando fundamentada na essencialidade dos ativos. No caso em tela, o reconhecimento dos 42 veículos como geradores de caixa foi o diferencial para impedir o colapso da transportadora perante o Bradesco.

Para empresas que enfrentam situações similares, a análise antecipada dos contratos e a identificação técnica dos bens essenciais são passos fundamentais para evitar a perda do patrimônio operacional.

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João Inácio

João Gabriel Inácio é advogado especialista em Direito do Consumidor e Direito Bancário, fundador do escritório João Inácio Advogados Associados, escritório referência contra Bancos e Financeiras.

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JOÃO GABRIEL INÁCIO

ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO DO CONSUMIDOR

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